Entrevista com Cris Camargo

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Durante a Santos Comic Expo 2016, bati um papo com a autora do quadrinho “O Último Maranishi”, uma história em 10 capítulos, lançada na Web desde 2015 semanalmente e que em breve será lançada em versão impressa.

 

 

 

 

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Cris apresente-se!

Sou Cris Camargo, tenho 44 anos e desenho desde criança. Quando criança, fazia uma coisa que só depois descobri que se chamava Fanzine, porque eu fazia os meus quadrinhos em papel oficio, dobrava e grampeava, vendia na escola e tinha quem comprava. Isso durante a adolescência também, desenhei periodicamente até os meus 25 anos, quando entrei no mercado de publicidade e ai vida profissional passou a ocupar a maior parte do espaço. Eu vi que não ia ganhar dinheiro com quadrinhos e meio que larguei de mão. Virou um hobby esporádico e muitos anos depois, mais ou menos uns 20 anos, quando eu vim para São Paulo, conheci pessoas do meio editorial e pessoas que trabalhavam com HQ’s independentes e elas viram o trabalho que eu fazia antigamente e me incentivaram a voltar a fazer quadrinhos.

Então comecei a me atualizar: ver vídeos no youtube, técnicas novas de HQ e tal. Comecei a fazer de novo e resolvi meter a cara no sol! (risos).

 

Nos conte um pouco das suas inspirações na hora de criar?

Inspiração depende do tema que eu estou a fim de desenvolver. Por exemplo, a historia de “O Ultimo Maranishi” foi inspirado em teorias da conspiração que o pessoal compartilha na internet. Aquela coisa do “e se fosse verdade?”, que os conspiradores fazem. Então eu fico de olho em tudo o que esses sites divulgam, porque isso pode me dar novas historias. Às vezes quando vejo alguma descoberta cientifica na internet, acabo guardando o link pra num futuro quem sabe gerar alguma historia dali.  Então depende muito do meu interesse no momento.

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Uma das páginas do HQ “O Último Maranishi”

 

O que te levou a ser quadrinista? Quando você se viu realmente sendo quadrinista?

Quando era criança, eu sonhava em ser o Mauricio de Souza de saias (risos), até que a realidade mostrou que aquilo não iria acontecer. Mas é até engraçado, estava falando para minha mãe recentemente, parece que a vida deu uma guinada de 360° graus, porque eu voltei a fazer o que fazia quando era criança, só que agora com uma cara profissional. To sendo aquilo que eu sempre fui na verdade.

Qual personagem desenhado por você, que mais te dá orgulho?

Os que eu estou desenhando agora: o Hanzo e a Sara. O Hanzo tem um pouco do meu lado explosivo, o lado pavio curto e a Sara aquele lado mais combativo de quem não se conforma com versões oficiais. Então os dois personagens tem um pouco de mim, então é super relaxante escrever eles.

 

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Inktober 2016

 

Como é a recepção do publico?

Tem sido muito boa.

Fala a sua opinião sobre as parcerias com sites e blogs em relação a ajudar o artista independente no Brasil?

Olha, eu diria que, principalmente entre sites e blogs de mulheres, tá acontecendo uma coisa que está mudando o cenário atual. Hoje mesmo, teve duas meninas de 14 anos que foram inspiradas pela Germana (Viana), que a viram num evento. São meninas que começaram a desenhar, porque viram uma mulher desenhando, viram que uma mulher pode fazer quadrinhos e publicar.

Então acho que essa rede que está se formando entre mulheres, não apenas entre a própria rede de quadrinistas, um ajuda a divulgar o outro, mas entre as mulheres isso tem sido muito mais significativo, muito mais palpável.

 

Qual foi a maior dificuldade que você passou na área relacionado á preconceitos em relação a ser mulher?

Teve eventos esse ano, que por exemplo, a gente estava numa mesa em fileira de três ou quatro mulheres e os caras passaram reto quando veem que é mulher e vão na mesa seguinte que é um homem. Eles olham as mesas que tem homens, quando veem que é uma mulher que está no outro lado da mesa, eles nem olham o material. E geralmente são esses mesmos caras, que depois vão na internet dizer que mulher não sabe fazer quadrinho. Tem muita mulher fazendo terror, muitas mulheres que fazem quadrinhos considerados “masculinos”, e o pessoal acha que mulher só faz quadrinho fofo, desenho fofo e não, tem mulher fazendo quadrinho de todos os temas, todos os tipos de traços.

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A própria Chris Camargo

 

Fala pra gente um quadrinista ou desenhista preferido? Um estrangeiro e um nacional.

Nacional, vou citar um nome do estilo realista que eu gostaria muito de desenhar como ele que já faleceu que é o Eugenio Colonnese. O internacional é o Robert Crumb.

 

Que dica você daria pra quem está começando e quer ser quadrinista?

Não tenha vergonha de mostrar o que você faz. Sempre vai ter alguém que goste, sempre vai ter um mal amado que não gosta e que vai falar mal e não acredite em críticas “destrutivas”.

 

 

 

 

 

Para ver seus trabalhos e entrar em contato, é só clicar nos links abaixo:

Cris Camargo

O Último Maranishi

O Último Maranishi – Página Oficial

 

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Natália Furtuoso & Isabelle Prado

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