Homem-Formiga | Confira nossa análise do novo filme da Marvel Studios

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Um filme de assalto, uma aventura para toda a família. E um dos mais divertidos filmes com o já conhecido estilo Marvel.

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Paul Rudd, a escolha certa para Scott Lang / Homem-Formiga. (Divulgação)

Criado por Stan Lee, seu irmão Larry Lieber e Jack Kirby, Homem-Formiga nunca foi um dos grandes representantes da Casa das Ideias nos altos patamares de vendas de quadrinhos ou merchandising, mesmo sendo um dos membros fundadores dos Vingadores. Neste contexto (muito similar ao de Homem de Ferro), a escolha do personagem para ser mais uma das adaptações da Marvel Comics para os cinemas foi vista como algo tão perigoso ou mais do que foi Guardiões da Galáxia. Com a substituição de Edgar Wright (Scott Pilgrim contra o Mundo) por Peyton Reed (Sim, Senhor) na direção do longa, o receio tomou maiores proporções e muitos boatos sobre diversos problemas surgiram. Contudo, assim como no caso de Peter Quill e seus improváveis amigos, Homem-Formiga é mais uma amostra de que o estúdio conhece muito bem seu próprio material e sabe exatamente o que fazer com ele.

 

Scott Lang / Homem-Formiga (Paul Rudd) com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson)

Scott Lang / Homem-Formiga (Paul Rudd) com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson)

A trama do filme não foge muito do que já nos foi mostrado em outros filmes da Marvel Studios, onde alguém que é a grande ameaça, não poderá ter nas mãos o MacGuffin (termo criado por Alfred Hitchcock que representa pessoa, status ou objeto que todos desejam e que move a história).
Nesse caso, conhecemos o Dr. Hank Pym (Michael Douglas) que através de pesquisas sobre a distância entre os átomos, conseguiu criar uma substância que quando aplicada em conjunto com um uniforme e seu capacete, fornece a capacidade de redução e aumento de tamanho de objetos e pessoas. Mas devido ao seu passado turbulento com a S.H.I.E.L.D. e a perda de sua esposa, Janet Van Dyne, Pym preferiu reter essa tecnologia e não deixar o mundo ter contato ou fazer uso de sua descoberta.
Aposentado e recluso, se afasta de tudo e todos, principalmente da filha Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), que distante do pai de várias formas, trabalha na Pym Technologies sendo o braço direito do pupilo de Hank, Darren Cross (Corey Stoll). Quando a tecnologia de encolhimento começa a ser recriada para fins militares (denominada Jaqueta Amarela) por Cross, somente Scott Lang (Paul Rudd), um ex-ladrão que a todo momento busca o melhor para sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson), poderá assumir o posto de Homem-Formiga e aplicar suas habilidades e inteligência para auxiliar Hank e a Hope na missão de impedirem que o pior aconteça.

 

Evangeline Lilly, como Hope Van Dyne (Divulgação)

Evangeline Lilly, como Hope Van Dyne (Divulgação)

Homem-Formiga consegue apresentar seus principais personagens dinamicamente nos primeiros minutos, através de diálogos curtos e naturais, conseguindo ser didático de modo equilibrado enquanto a história é desenvolvida. O modo como conhecemos o universo em que o herói se situa e as diversas possibilidades de infiltração, luta e trabalho em equipe com suas principais aliadas (as variadas espécies de formigas) é desenvolvido através da própria jornada de Scott não só em se tornar o Homem-Formiga, mas também no pai que precisa ser. Paternidade é um ponto chave do filme,  já que só com a aproximação física e afetiva de Hope e seu pai, será possível trabalharem em conjunto.

Jaqueta Amarela / Darren Cross , interpretado por Corey Stoll (Divulgação)

Jaqueta Amarela / Darren Cross , interpretado por Corey Stoll (Divulgação)

Mesmo com suas próprias características, Homem-Formiga ainda é um filme de origem e como tal, necessita jogar para o espectador muita informação durante boa parte do tempo de exibição, porém faz isso tranquilamente, utilizando comédia e diálogos ágeis. E nesse ponto merece destaque a ótima participação de Michael Peña no papel de Luis, um dos amigos de Lang, que com seu “timing” para as piadas bem colocadas, rouba a cena em diversos momentos e que com certeza arrancará muitas risadas dos espectadores.
Se tem algo muito bem acertado no longa foi a escolha do variado elenco, sendo Michael Douglas a peça fundamental para tentar trazer o freio necessário para criar equilíbrio e conter o bom humor (algumas vezes criticado por ser exagerado, na visão de alguns fãs de adaptações de quadrinhos). Já Evangeline Lilly, que hesitou em continuar no projeto depois da saída do primeiro diretor, consegue criar uma Hope que possui uma casca resistente, mas que também necessita da afirmação perante seu pai.

Michael Douglas como o Dr. Hank Pym (Divulgação)

Michael Douglas como o Dr. Hank Pym (Divulgação)

Ver Paul Rudd na tela como Scott Lang e seu alter ego é fácil e convincente, não só pela já conhecida simpatia em tela do ator, mas principalmente quando percebemos como o filme tem o tom certo para ele, já que muito seu, de Peyton Reed e Edgar Wright pode ser claramente percebido durante todo o tempo.
Já o vilão Jaqueta Amarela ainda nos faz relembrar da dificuldade da Marvel fazer grandes vilões na maioria de seus filmes, apesar de ganhar pontos positivos pelas demonstrações de frieza através da interpretação de Corey Stoll.
Apesar de alguns pontos que levantam questionamentos, como policiais estranhamente desatentos e que nem parecem carregar algemas, Homem-Formiga acerta bem em roteiro e edição, onde até rápidos destaques para um chaveiro podem merecer a atenção de quem o assiste.
Com efeitos que demonstram muito bem as escalas, poder e o ambiente enquanto personagens diminuem e crescem, o 3D parece ter sido aplicado em momentos não necessários, mas nada que atrapalhe a experiência.

Interação de Lang e suas "grandes" aliadas será fundamental (Divulgação)

Interação de Lang e suas “grandes” aliadas será fundamental (Divulgação)

Com referências aos quadrinhos (como o nome da revista da primeira aparição do herói) e ao universo cinematográfico da Marvel (da batalha em Sokovia até novas ou esperadas possibilidades que um futuro breve promete), Homem-Formiga, assim como Capitão América 2 : O Soldado Invernal, traz a variação de gênero e se encaixa em algo já estabelecido de forma segura e com identidade própria. É difícil imaginar um filme que ri de si mesmo, busca criar a simpatia de todos por um herói que encolhe, deseja que você desenvolva vínculos afetivos com formigas voadoras e ainda faz piada com o filme Titanic. Mas não imagine, pois esse filme existe. E ele funciona.

Homem-Formiga estreia nos cinemas de todo o Brasil dia 16 de Julho.

 

 

Bônus: Com as DUAS cenas adicionais após a exibição (sim, fique até o fim) a Marvel Studios apresenta mais peças de seu quebra-cabeça de passado, presente e futuro e oferece mais uma vez, munição para as deduções daqueles que a acompanham. ????

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