Life is Strange | Confira nossa análise do game

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O sci-fi da vida real

   Life is Strange, desenvolvido pela Dontnod Entertainment e publicado pela Square Enix,  é um game no estilo Adventure, com foco basicamente em seu enredo e nas decisões que o jogador toma ao longo do jogo (e oficialmente, pelo menos até o momento, só com legendas em Inglês).

   O título tem como personagem principal a acanhada Maxine (Max) Caulfield, uma estudante  da Academia de Artes e Ciências Blackwell (Oregon, Estados Unidos), que ama fotografia e vive na cidade de Arcadia Bay. Tudo muda para a jovem garota quando ela testemunha um crime no local onde estuda e ao mesmo tempo também percebe que tem a capacidade de reverter o tempo (influenciando assim o passado, presente e futuro) e corrigir esta e outras coisas que considera erradas.

   Com a ajuda de sua amiga de infância Chloe Price, após reencontrá-la (de modo bem peculiar) depois de muitos anos,  Max aos poucos  também se envolve na busca da jovem Rachel Amber, aluna desaparecida da Academia Blackwell e também amiga de Chloe. Mas conforme usa esse seu “poder”, além de ter certas limitações (como sangramentos no nariz), nossa personagem principal também tem visões nada agradáveis sobre o futuro de Arcadia Bay.

   Diferente de outras referências do mesmo gênero, como os títulos devolvidos pela Telltale Games,  Life is Strange oferece uma maior liberdade de movimentação dos personagens mesmo que ainda limitados pelo objetivo ou ambiente. A mecânica de” rebobinar” o tempo (quando disponível) é muito simples e o próprio game diversas vezes também indica se é possível usá-la e quando ocorre, mostra ao jogador um belo efeito onde duas realidades coexistem através de efeitos de iluminação.

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   Para aqueles que têm paciência para explorar cenários  e conversar com npc’s ( non-playable caracteres / personagens não jogáveis ) Life is Strange se encaixa perfeitamente com seus hábitos. Além disso, o que também auxilia muito a entender melhor todos os fatos que ocorrem durante o game é se atentar a leitura do diário de Max e de suas SMS’s (disponíveis quando se pausa o jogo).

   Se você procura gráficos que exemplificam os poderes da atual geração, vá com calma.  Esse é o principal ponto em que Life is Strange realmente fica devendo.  Independente da plataforma na qual o jogo é utilizado,  nota-se que o foco da desenvolvedora é o roteiro,  e o simples trabalho visual principalmente em relação aos rostos dos personagens muitas vezes compromete a interpretação da expressão e até a sincronia com a voz dos atores ( que fizeram excelente trabalho, especialmente a premiada Ashly Burch, no papel de Chloe Price).

   Quesito que aumenta imensamente a imersão e ajuda o jogador a se conectar cada vez mais com os personagens, a trilha sonora, baseada em indie rock e folk é fundamental para a história de Max. Com certeza, assim como após assistir à certos filmes, o jogador perceberá que está com as músicas na cabeça mesmo durante outras atividades.

   Através dos cinco episódios (já lançados) pelos quais o game é dividido muitos personagens são apresentados,  mesmo que inicialmente relacionados à basicos esteriótipos adolescentes, entretanto, a narrativa consegue  desenvolvê-los gradualmente e através deles abordar diversos assuntos de modo natural como bullying,  relacionamentos amorosos e conflitos familiares. Esta maturação dos temas abordados no game vai tomando maiores proporções especialmente durante suas duas últimas partes.

   As decisões que o jogador toma enquanto está na pele de Max tem principal influência nos episódios nos quais aparecem,  oferecendo pouco impacto na espinha dorsal da trama.  Isso não quer dizer que você irá ser simplesmente carregado pela narrativa,  afinal, é tudo costurado de tal forma para fazer com que você se sinta responsável por aqueles relacionamentos, sorrisos e lágrimas que surgem durante as (pelo menos) 10 horas de jogo.

   Ao colocar não uma, mas duas personagens femininas no centro de tudo o que acontece, Life is Strange poderia cair fácil no abismo dos clichês, contudo, conforme vamos conhecendo cada vez mais Max e Chloe, percebemos as camadas na personalidade de cada uma, seus históricos de vida e ainda testemunhamos uma amizade que pode ser admirada por jogadores de todos os gêneros.

   Mais do que mais uma obra de viagem no tempo e as consequências que isso pode gerar nas vidas (e no ambiente) dos personagens,  Life is Strange é sobre tomar decisões, sejam elas simples ou complexas. E para mostrar isso e seus possíveis resultados, o elogiado game (e indicado a diversas premiações) questiona até que ponto somos donos de nossas próprias decisões.

   Life is Strange está disponível em versão digital para PS3,  PS4, PC,  Xbox 360 e Xbox One.

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