Need For Speed | Review

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Corridas noturnas, carros envenenados e cultura tunning te lembram alguma coisa? Se sim, você deve estar com algum Need For Speed das antigas na mente, certo? Pois é, o atual reboot da EA te leva diretamente a nostalgia dos antigos “Underground”, tido por muitos como o ápice da franquia. Não à toa, muito bem representado aqui. Em cada detalhe do game, podemos mesmo que vagamente, lembrar do quão bom foi essa fase, essa época. Para quem a viveu, parabéns. Para quem não a viveu, aproveite este review!

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O jogo usa o fotorrealismo para criar os carros

Na história do game (é meu amigo, agora tem história) você é apenas referido como “Novato”. Dentro da equipe, formada por Manu, Travis, Robyn, Spike e Amy, responsáveis por cada forma de pilotagem: estilo, customização, equipe, velocidade e fora da lei. Aqui entra um lance um pouco estranho: Spike te convida à uma festa, onde estão grandes nomes da cultura automotiva (Ken Block, Nakai-San, Magnus Walker, Vaughn Gittin Jr, mas falaremos deles mais tarde) porque você o havia derrotado na rua anteriormente e você é aceito na equipe, estes lhe confiam uma garagem e começam a contatá-lo via celular (você vai fazer muito isso ao longo do game) como se você fosse parte da família. Estranho, no mínimo. Tudo acontece bem rápido e do nada o “Novato” é parte da equipe. Mas é lógico que tudo isso é pano de fundo, um enredo raso, para o verdadeiro primor da franquia, que são as corridas clandestinas.
E aqui entram os astros da cultura automotiva, os personagens que ilustram a capa do game: Ken Block, piloto de rally conhecido por seus vídeos de Gymkhana no Youtube; Nakai-San, um preparador e customizador de carros conhecido por seus incríveis e inigualáveis modelos; Magnus Walker, preparador de Porsches; a galera do Risky Devils, que levam as corridas clandestinas á ultima consequência;  e Morohoshi-San, que tem muito a revelar durante o game. A história é contada de forma leve e rápida, dificilmente você ficará “sem saber o que fazer” e “porque está fazendo”. Cada personagem, tem seu diferencial. Manu, por exemplo, é fã de Ken Block e quando não está correndo por Ventura Bay, a cidade do jogo, está em seu abrigo assistindo os vídeo de Gymkhana do Ken. Já Spike, por outro lado, acha tudo isso armação, montagem e edição de vídeos, tudo para parecer legal. A desavença destes dois é algo bem real, já que nos fóruns sobre carros as opiniões se dividem em igual proporção.

“Tonight We Ride” – Spike

Você se vê realmente fazendo parte de algo, uma vez que interage com os personagens do jogo fazendo parte desta equipe, conversando sobre outros pilotos conhecidos mundialmente, conversando sobre equipes, carros, tempos e tudo mais. E quando estes aparecem no vídeo e conversam diretamente com o “novato”, você se sente parte da situação. A história desenrola de uma forma bem clichê porém válida. Eu até me sinto estranho em estar julgando, comentando, “falando sobre” a história de um jogo de corridas. Há muito não se via um jogo que mescla carros, corridas, baladas, pessoas renomadas, tunning, tudo isto num pacote só. É verdade que em inúmeros momentos o jogo te irrita. Seja pela dificuldade elevada da IA, seja por pequenos bugs inesperados, mas uma vez que você se sente “entre eles”, o game fez seu papel. Te coloca em um mundo totalmente diferente do seu, sem você sair de casa. Um mundo talvez inalcançável (eu mesmo não me vejo um feliz proprietário de um Dodge Challenger com mais de 1.400 cavalos no motor) para muitos mas que vai brilhar os olhos da maioria.

As opções de customização são extensas

O jogo apresenta 03 formas de jogar bem distintas, todas elas bem ao estilo arcade. Você pode montar a máquina de drifting dos sonhos e arrepiar nas curvas de lado pela cidade ou montar a máquina de circuito perfeita, onde você poderá aplicar as tangentes e saídas de curva com uma maior precisão de movimentos e controle sobre o carro. Ainda há o meio termo, onde você pode atacar as curvas com precisão ou ainda barbarizá-las levantando muita fumaça dos pneus. Tudo isso você pode alterar na sua garagem, de forma fácil e rápida. O próprio jogo te explica como fazer, além também dos detalhes sobre cada mudança. Perfeito para os recém chegados à franquia e/ou ao mundo dos esportes automotores.
A polícia do game está com comportamento muito real, pois se você é perseguido por um Ford Crown Victoria (o icônico “CrownVic”) você consegue perdê-lo de vista facilmente. Contra alguns Dodge Charger a brincadeira fica mais interessante, porém, em uma freeway ainda a diferença será brutal. Isso levando em consideração a potência de seu carro. Diferente dos NFS anteriores, onde a polícia andava em ”tanques turbonitro” lhe deixando sem o mínimo de chance para o confronto direto.

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A série volta a usar Live Action nas cutscenes, uma ótima pedida

Graficamente o game é ótimo. As transições de live action para o jogo são imperceptíveis. E o contrário também acontece. Por vezes a câmera está focada no seu carro e de repente alguém começa a conversar contigo e você percebe então que se tratava de uma cutscene dentro da sua garagem. A iluminação também é outro ponto considerável. Como boa parte do game está garoando, talvez propositalmente, muita luzes são refletidas no asfalto, dando um brilho a mais ao game. Presenciei alguns bugs (que podem simplesmente passarem desapercebidos pela maioria) tais como carros piscando (sumindo e aparecendo do nada), problemas de renderização e pop-ups. Estranho que estes foram problemas que eu percebi mesmo na beta fechada do game, ou seja, nesse aspecto eles não mexeram em nada.

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A iluminação do jogo é ótima

Aqui vem o ponto que eu considero a cereja do bolo neste game, o áudio. A EA trabalha muito bem suas trilhas sonoras não é de hoje. Lógico que, diferente dos Underground do passado, aqui você irá ouvir muito mais músicas eletrônicas do que o bom e velho rock. Muito disso se dá pela época que vivemos, tendo a cultura automotiva ligada á cena eletrônica. Ainda assim o game tem boas faixas, que você poderá até pensar em baixar pra ouvir mais tarde no seu celular. Em relação ao ambiente, só elogios. Os carros de polícia, além dos efeitos incríveis de luzes, também estão sonoramente bem representados. Já em modificações do carro, você irá notar a diferença na troca do sistema de escape ou mesmo na adição de um sistema turbo. O som do motor irá ser modificado exatamente de acordo com as mudanças que você fizer, deixando seu carro com um ronco único. O coração palpita quando acelera um V8 com Compressor.

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O game está completamente legendado

Need For Speed é o reboot que a EA precisava para a franquia e poderia até ser colocado como “Underground 3” sem problema algum. De qualquer forma, fico feliz de ver que a franquia está de volta aos seus tempos de ouro. Ainda há algumas coisas a serem consertadas mas é claro que estão no caminho certo. O jogo diverte, é desafiador, tem ótimos gráficos, poucos bugs, personagens carismáticos (até demais), extenso gameplay (finalizei com 25 horas), carros icônicos, ótima ambientação e customização a perder de vista. Tudo isso disponível em um game que não enjoa fácil e ainda garante um fator replay graças ao modo online. A EA finalmente lançando um NFS que faz jus ao peso da franquia.

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Rostos bem conhecidos da cultura automotiva nesta foto

O jogo está disponível para PS4, PC e Xbox One.

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